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Foi José de Arimatéia quem teve a honra de descer o corpo de Jesus da cruz. Imagine como seria ter de retirar as mãos frias e sem vida do Filho de Deus que estavam pregadas com aqueles grossos cravos romanos. Eram mãos de um carpinteiro, que um dia seguraram pregos e madeira. Eram mãos que partiram o pão e alimentaram multidões e que, agora, estavam sendo partidas para alimentar multidões.

Certa vez, aquelas mãos colocaram lama nos olhos de um cego, tocaram em leprosos, curaram doentes, lavaram os pés dos discípulos e abraçaram crianças.
Estes eram os dedos que escreveram na areia quando a mulher adúltera foi atirada aos seus pés e que, pelo amor ao Pai, seguraram firmes num chicote para purificar seu templo dos cambistas. Eram os mesmos dedos que pegaram o pão e o mergulharam em um prato, e o deram a Judas, num gesto de profundo amor e amizade. Aqui estava o próprio pão da vida, sendo afundado na taça do sofrimento, como o gesto final do amor de Deus para com o mundo maldoso, representado por Judas.

José de Arimatéia estava envergonhado de não ter confessado o Mestre, e seu sentimento aumentava enquanto ele rasgava os pés ensopados de sangue dos cravos que mediam 15 cm e o prendiam à cruz. Estes eram os “belos pés” daquele que anunciava o evangelho da paz, os pés que Maria lavou com seus cabelos, que caminharam sobre o mar da Galiléia, mas que agora estavam mergulhados num mar de sangue.

Enquanto retirava Jesus da cruz, José talvez tenha olhado por um instante para aquele rosto sem vida, para o rosto do Filho de Deus. Talvez seu coração tenha ficado apertado diante daquela imagem. Este rosto, que outrora irradiava a glória de Deus no monte da Transfiguração, para o qual tantas pessoas olharam com tamanha veneração, estava agora totalmente manchado do sangue que escorreu da coroa de espinhos, que fora cravada na sua cabeça. Aquele rosto apresentava uma palidez incrível, era o rosto de quem havia carregado o sofrimento do mundo inteiro sobre si.

Como está escrito: “…sua aparência estava tão desfigurada, que ele se tornou irreconhecível como homem” (Isaías 52.14). “Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele… O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro… por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado… Contudo, foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer… pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniquidade deles” (Isaías 53.5-11).

Jesus de Nazaré foi despido de suas roupas, para que fôssemos vestidos com a pura justiça. Ele teve uma sede mortal para que nossa sede por vida pudesse ser saciada. Ele agonizou debaixo da maldição da Lei, para que pudéssemos desfrutar as bênçãos do evangelho. Ele carregou no seu corpo o ódio do mundo inteiro, para que pudéssemos experimentar o amor de Deus. O inferno caiu sobre ele para que o céu viesse sobre nós. Jesus de Nazaré experimentou o amargor da morte, para que pudéssemos experimentar a doçura da vida eternal. O Filho de Deus entregou sua vida voluntariamente, para que a morte pudesse passar longe dos filhos e filhas de Adão.

Que a cruz do Calvário possa ser tão real para nós quanto foi para os que pisaram naquela terra ensanguentada naquele dia terrível. Que nós também possamos fitar aquela face do Cristo crucificado e que a vergonha possa nos deixar de coração apertado, caso algum dia tenhamos de sentir qualquer tipo de temor do que os homens possam nos fazer. Que possamos nos identificar com o apóstolo Paulo, que poderia ter se vangloriado de sua experiência dramática e miraculosa no caminho de Damasco, mas, em vez disso, preferiu pasmar e suspirar diante do grande amor de Deus:
“Quanto a mim, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo (Gálatas 6.14).

Extraído e adaptado da Bíblia NVI Evangelismo em Ação: compilada por Ray Comfort.