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Um dia as peças do quebra-cabeça se encaixam, a luz se acende e é possível ver com nitidez não só o que está perto de você, mas também todo o seu passado até chegar ali.
Gosto bastante da metáfora apresentada na música Tapeceiro, de Stênio Marcius. A letra fala que a nossa vida é como um tapete e o tapeceiro é Deus, entrelaçando linhas de cores alegres e tristes para fazer uma obra de arte.
É como se num determinado momento, Deus nos permitisse ver “o tapete da nossa vida” por inteiro.
É nesse momento que Deus nos mostra seu propósito, nos faz ver em detalhes, como num filme, a nossa caminhada. Nos faz entender o “porquê” e “pra que” de situações que nos aconteceram e que O questionamos tantas vezes, sem obter respostas. Se esse momento tivesse som, seria o som de um estalo, “click”, “caiu a ficha” [se você não pegou a época do orelhão de ficha, provavelmente não vai entender essa expressão! :-)].

Nessa hora parece que ouvimos a voz de Deus dizendo: “- Tá vendo agora filho? Foi pra isso que te trouxe até aqui. Foi para ser quem você é hoje, que passou por tudo o que passou. Eu precisava de você, do jeito que você é hoje, aqui, agora, para essa situação. Consegue entender a trajetória da sua vida agora?”

Foi mais ou menos isso que Mardoqueu sugeriu a Ester, no capítulo 4, versículo 14, do livro de Ester.

Ester, judia, órfã de pai e mãe, foi criada pelo primo Mardoqueu em Susã, na Pérsia. A rainha Vasti perdeu o trono por desobedecer o rei Xerxes e deveria ser substituída por uma virgem escolhida pelo rei. As candidatas passaram por 12 meses de tratamento de beleza e ao final do tratamento, Ester foi escolhida para ser a nova rainha.

Muitas coisas aconteceram até que um oficial do rei, Hamã, pede a ele que extermine o povo judeu, pois Mardoqueu (que era judeu) recusava-se a prostrar-se diante de Hamã.

Mardoqueu por sua vez, foi pedir ajuda a Ester, sua prima, agora rainha da Pérsia. Ester fica com receio pois pela lei não poderia falar com o rei se ele não a chamasse primeiro. Chegamos então ao versículo que citei logo acima, Ester 4.14. Mardoqueu diz:

“Quem sabe não foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha?”

Click! Um filme deve ter passado pela cabeça de Ester. Órfã de pai e mãe, judeus exilados, criada pelo primo na Pérsia, destituição da rainha Vasti, seleção de moças de 127 províncias, 12 meses de tratamento de beleza, coroação de Ester como rainha e agora a oportunidade de interceder pelo povo judeu junto ao rei. Bingo! Tudo fazia sentido agora.

Porém, coube a Ester dizer sim ou não à oportunidade que lhe foi dada. Não somos marionetes de Deus, temos livre-arbítrio.

Penso que é preciso estar atento aos sinais e ter olhos espirituais para enxergar as situações das nossas vidas com os olhos de Deus. Se agirmos assim, quando chegar a hora do “click” poderemos dizer: “Senhor, eis-me aqui, usa-me!”

Ester respondeu positivamente e o povo judeu livrou-se do extermínio.

Quando chegar o meu momento, quero dizer a Deus:
“Usa-me, Senhor,
Como um farol que brilha à noite,
Como ponte sobre as águas,
Como abrigo no deserto,
Como flecha que acerta o alvo,
Eu quero ser usado da maneira que te agrade
Qualquer hora e em qualquer lugar
Eis aqui a minha vida,
Usa-me Senhor!”*

Aline Cândido

*Música “Sonda-me, usa-me de Aline Barros.