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“Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar, tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter, tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de jogar fora, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz.”
Eclesiastes 3.1-8

Há tempos em que a única coisa que precisamos ou podemos fazer é esperar. Nada mais (como se isso fosse fácil, né).

Pense no menino que planta uma semente e todos os dias cava a terra para ver se ela está germinando. Quem tenta ajudar o broto a sair da semente o destrói. Esperar é tão necessário quanto o plantio e a adubação.
Pense na borboleta… quem tenta ajudá-la a sair do casulo a mata.
Pense nos peixes que não estão mordendo a isca… bater com o remo na água não vai adiantar.
Pense na criança que está chorando e não está comendo. Empurrar mais comida não vai ajudar. O apetite volta quando a agonia vai embora. Isso leva tempo.


Espere. Espere. Es-pe-re.

Adoro flores. Tenho comprado orquídeas pra enfeitar minha casa e meu local de trabalho. Apesar de durar bastante tempo, uma hora as flores caem e aí a orquídea fica meio sem graça. Quando chegava esse tempo, eu simplesmente dava a orquídea pra alguém com mais paciência pra cuidar de plantas do que eu, mas dessa vez resolvi eu mesma cuidar.
Coloquei as orquídeas na varanda, com luz indireta, reguei 1x por semana tomando o cuidado de não deixar as raízes molhadas, e… nada.
Meses se passaram e as orquídeas continuaram as mesmas. Eu perseverei. Continuei fazendo o que deveria e eis que numa manhã de sábado descubro um broto novo, bem pequenininho, nascendo de um galho da orquídea. Quando me dei conta já tinha se passado 1 ano desde a última florada. Um ano é bastante tempo, mas eu esperei, e agora a minha alegria de ver os brotinhos é tão grande que supera em muito a espera de 1 ano!

Nossa visão é limitada e há mais coisas “invisíveis” do que podemos imaginar. Enquanto batemos com o remo na água, nada acontece… aliás, acontece… os peixes vão embora. Às vezes apressando ou forçando uma situação criamos cicatrizes que levam anos para se apagar. Às vezes o que precisamos é ficar em silêncio e recuar para que Deus possa agir e fazer a Sua obra. Quando chega a hora certa as coisas fluem muito naturalmente.

Relaxe, recue, silencie, espere. As orquídeas vão brotar.

Só mais uma coisa: essa foto que ilustrou o texto eu cliquei há 1 ano! Orquídeas sem flor no Jardim Botânico de São Paulo. Já gostava dela na época, mas hoje ganhou um significado especial.
Aline Cândido
Inspirado em devocionais do Charles R. Swindoll, citações de Rubem Alves e observação das orquídeas na minha varanda. 😉