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Sou iniciante na cozinha, confesso, mas sei fazer sequilhos. Aprendi com minha mãe, que aprendeu com minha avó paterna, Dona Duvina.
Ela faleceu cedo, e eu tinha apenas 10 anos. Não deu tempo de aprender seus truques culinários, mas sua “fama” atravessou gerações.

Ela fazia os sequilhos todos do mesmo tamanho, com uma precisão que (descobri com o tempo) virou herança de família.
Ouvi de minha mãe anos mais tarde: “está muito grande essa bolinha! E essa, então, está muito pequena! Faz de novo!”

Não cozinhei com a Dona Duvina, mas seus cadernos de receita já passaram por minhas mãos e estão guardados como relíquias que o tempo e a traça tentam destruir.

Lembro de mim recém-casada orando na cozinha com a panela de arroz nas mãos: Senhor, por favor, me ajuda a ter ao menos 10% do talento que minha avó tinha na cozinha!
Nesse tempo eu achava que ela tinha nascido pronta, assim como todas as outras avós e mães do mundo. Eu orava como se Deus pudesse me transformar num passe de mágica!
Quem sabe um dia chego lá! Já sei fazer seus sequilhos!
E toda vez que os faço, sinto ela perto, bem viva dentro de mim.

Foram só 10 anos e talvez apenas cinco de memória consciente. Lembro dela cozinhando, cuidando das plantas e ajudando os que precisavam.

Que tristeza é a morte que deixa um abismo entre as pessoas! Mas que alegria ter memórias de uma vida feliz! 🙂

Esse 8 de março, dia da Mulher, dedico a ela, vó Duvina, grande mulher!
E também à minha mãe, dona Regina, que apesar de ser sua nora, a tinha como mãe!

“Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera. A formosura é uma ilusão, e a beleza acaba, mas a mulher que teme ao Senhor Deus será elogiada. Deem a ela o que merece por tudo o que faz, e que seja elogiada por todos.” (Provérbios 31.28-31)

Aline Cândido